quarta-feira, 27 de abril de 2016

Vivemos sustentados pelo Pleno


Om brahmarpanam brahma havih | brahmagnau brahmanahutam |
brahmaiva tena gantavyam | brahmakarma samadhina ||
hari om || sri gurubhyo namah || hari om ||
Om namah Parvatipataye Hara Hara Mahadeva ||
(Bhagavadgita IV:24)

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 "Para [o homem que se libertou de seus condicionamentos], o ato de fazer oferenda é Brahman, a oblação é Brahman. Por Brahaman é oferecido no fogo que é Brahman. Brahman é o objetivo a ser conhecido por aquele que percebe Brahman em suas ações." 
(Tradução por Pedro Kupfer)

"Isto significa que toda ação, todo momento, todo lugar, são oportunidades para cultivarmos a consciência de que não estamos sós, de que não há, nunca houve e nunca haverá separação. E de que, portanto, não precisa haver aflição ou sofrimento, nunca. Nascemos, crescemos, vivemos e somos sustentados pelo Pleno" (Explicação por Pedro Kupfer)

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"Deus é o amor, Deus é o holocausto, Deus é o fogo, Deus é o sacrificante; de maneira de que quem age com a consciência em Deus realiza em Si, o Eu Supremo."
(Tradução Huberto Rohden)

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sábado, 26 de março de 2016

2016 - Mensagem de Páscoa de Sri Mrinalini Mata


"Abençoa-nos nesta manhã, ó Cristo, para que possamos perceber o significado universal de tua ressurreição: que nossas almas, reflexos da Consciência Crísticas, ressuscitem para sempre em tua Consciência Imortal."

- Paramahansa Yogananda

Saudações de Páscoa a vocês, com muita alegria, desde os ashrams de Paramahansa Yogananda! Ele nos ensinou a reverenciar a mensagem pascal da ressurreição como uma eterna afirmação – dirigida a todos os filhos de Deus – de que, não importa quão obscuras sejam as nuvens tempestuosas deste mundo conturbado, temos o poder para nos elevar acima delas, alcançando uma percepção mais vasta da luz e da glória de Deus.

Avatares como o abençoado Senhor Jesus encarnam para nos demonstrar com seu exemplo a maneira de viver divinamente em meio às dualidades da criação. Eles enfrentaram as forças obstrutivas de maya, tal como nós todos precisamos fazer, e venceram. Aparentemente, a crucificação de Cristo afigurou-se uma derrota humilhante. Todavia, como um resplandecente dardo de luz trespassando a obscuridade, sua ressurreição foi uma gloriosa vitória não apenas sobre a morte, mas simbolicamente sobre todas as limitações mortais – uma vitória que continua a aclarar, para as almas receptivas, a verdade de que não somos este corpo, mas seres divinos irrevogavelmente dotados com a imortalidade, a alegria e o amor do Espírito.

Os dias sagrados da época de Páscoa estão repletos de comoventes lembranças do drama divino encenado por Jesus para o encorajamento e a inspiração perenes de toda a família humana. Nosso guru Paramahansaji escreveu: “Jesus sabia que por meio de sua ressurreição a onipotência de Deus seria revelada, enquanto que sua crucificação exemplificaria a humildade de Deus, que deseja ensinar Seus filhos rebeldes e ignorantes valendo-se unicamente do amor”. Quando celebrada de acordo com seu verdadeiro significado espiritual, a Páscoa é portanto uma ocasião de suprema alegria, uma oportunidade para redescobrir que uma vida repleta de alegria é o resultado da prática diária da ressurreição – em nossas atitudes e ações e na maneira de nos relacionarmos com os demais. Pelo fato de vivermos num mundo imperfeito, é fácil nos determos indevidamente nos defeitos presentes nos outros, na sociedade e em nós mesmos. Mas se buscamos o bem, fazemos o bem e tentamos trazer à luz o bem nas diversas circunstâncias que encontramos, então conectamos nossa vida diária com o poder redentor do amor de Deus neste mundo – a Consciência Crística que tudo permeia.

Todos temos cruzes individuais a carregar, mas a maneira como decidimos carregá-las determina seu efeito sobre nós. A verdadeira vitória de Jesus Cristo foi o amor e o perdão que ele demonstrou na cruz. Também em nossa vida, as experiências contra as quais o ego se rebela podem ser libertadoras para a alma. Quando o orgulho do “pequeno eu” é crucificado, temos uma oportunidade de aprender a humildade que nos confere paz. Quando os outros nos são hostis, podemos vencer os impulsos do ego prodigalizando bondade e compreensão. Se o corpo tem problemas e reagimos com destemor e equânime fé na vontade de Deus, podemos trazer à tona a natureza heroica da alma e, por meio da entrega confiante, aprofundar nosso relacionamento com Ele. Sempre temos o poder para eleger a luz em vez das trevas. As escolhas que fazemos podem transmutar nossas cruzes em instrumentos para promover nossa perfeição – para ressuscitar, do sepulcro da consciência mortal, a alma sempre plena de bem-aventurança.

Possam vocês sentir essa ressurreição interior na quietude da meditação e ao viverem com o pensamento de Deus ao longo de cada dia. Minha prece de Páscoa por vocês é que o infinito amor crístico – em que habitam Jesus e todos os Mestres Divinos – os desperte para o seu próprio Eu imortal e para as qualidades divinas de sua alma, de modo que sua vida e ações possam verdadeiramente irradiar a luz, a paz e a beleza de Deus.

Carinhosos votos de uma alegre e abençoada Páscoa para vocês e os que lhes são caros,

Mrinalini Mata's Signature

Texto retirado do site Self-Realization Fellowship

sexta-feira, 25 de março de 2016

Uma flor de lótus para a Páscoa



A flor de lótus representa espiritualidade, pureza e renascimento. Ela simboliza o progresso da nossa alma, pois assim como suas raízes permanecem na lama e seu caule deve subir até a superfície a fim de mostrar a exuberância de sua flor, nós também precisamos renascer da lama de nossa ignorância superando todas as dificuldades da vida de maneira que a nossa alma mostre a sua luz.

A época da Páscoa nos convida a esta reflexão, ao renascimento da nossa alma, à libertação da nossa ignorância, ao encontro com a pureza do sagrado que habita os nossos corações. O Amor é o caminho. Só através do Amor conseguiremos alcançar a plena felicidade que repousa no Absoluto.

Que nesta Páscoa, portanto, possamos renascer, assim como o lótus, nos esforçando a sair da lama de nossa ignorância que nos mantém presos àquilo que é impermanente para que, enfim, alcancemos a nossa União com o Todo Absoluto e Ilimitado.

Muita paz e luz!

Namaste _/|\_

sábado, 19 de março de 2016

A Libertação do Ego




Se olharmos com bastante atenção para nós mesmos chegaremos a mesma conclusão que os Grandes Mestres já tentam nos ensinar há milhares de anos, somos seres ilimitados aprisionados num ego limitado.

A percepção que geramos sobre as experiências que vivemos e sobre nós mesmos é limitada pelos sentidos. Já é cientificamente comprovado que os nossos sentidos são limitados, a nossa visão só consegue captar uma parte do espectro de luz, assim como os sons que a nossa audição é capaz de perceber, assim também com os demais sentidos. Da mesma forma, é limitada a capacidade cerebral de processamento de todas essas percepções.

Portanto o que enxergamos não é a realidade, não é o Absoluto, mas sim uma percepção relativa acerca dos fatos e da existência. É por isso que não podemos crer nessa ideia que criamos sobre quem somos externamente. Aquilo que somos externamente nada mais é do que a representação de papeis com o objetivo de gerar as provas ou o karma que necessitamos para compreendermos o que realmente somos: Ser Ilimitado.

O karma que vivenciamos permite a possibilidade da nossa mente gerar a ideia do prazer ou da dor, e nosso aprendizado é o de não nos identificarmos com essa ideia que é criada pelos nossos pensamentos. Essa é uma ação íntima, é a possibilidade de vivermos de uma forma diferente diante do karma que nós, enquanto espírito, precisamos vivenciar. Quando nós nos identificamos com os padrões criados pelos pensamentos, nós entramos num aprisionamento mental que gera o sofrimento, pois nos ligamos àquilo que é relativo e impermanente. Ao passo que quando ativamos o nosso ser testemunha capaz de observar tais padrões e conduzir nosso íntimo a aceitar as experiências, que nada mais são do que provas e não a realidade absoluta, sem nos envolvermos com elas, saímos do ciclo -prazer-dor- ou -ganhar-perder- e alcançamos um estado de paz e plenitude, pois atingimos um ponto mais perto da união com o Todo, com a Consciência Ilimitada e Suprema.

Essa nova forma de viver não nos modifica enquanto egos, pois o ego e as provas que ele gera são necessárias para que possamos mudar a maneira como lidamos com elas. Libertar-se do Ego, portanto, não é modificar o Ego ou as dores ou os prazeres que ele gera, mas vivenciá-los de forma diferente, tratando-os como relativos e ilusórios e nos posicionando no lado do Absoluto e Real. Esse processo não é automático, o grande Mestre Jesus já nos ensinou "Orai e Vigiai" constantemente. Isso exige um esforço contínuo a cada experiência vivida, aceitando as provas que chegam, enxergando-nos como seres espirituais vivenciando experiências humanas e, portanto, transitórias.

A liberdade do Ser passa pelo caminho interior, através de ações íntimas capazes de gerar uma reforma interna. Só assim conseguiremos nos libertar do sofrimento de estarmos ligados às experiências externas tomando-as como reais e absolutas. Como diz Pai Joaquim de Aruanda, o ser humano é viciado em viver o exterior. E é esse vício que precisamos combater, por meio da vigilância íntima e constantes orações.