sexta-feira, 17 de abril de 2015

Um mergulho no escuro do mundo (Acenda a sua candeia e vai!)


O mistério da vida me fascina. Lembro-me que quando eu era adolescente as questões “De onde eu vim?”, “Para onde eu vou?”, “O que eu vim fazer neste mundo?”, me inquietavam bastante a ponto de gerar certa angústia interior, de dificultar as minhas escolhas profissionais, como se eu não pudesse perder muito tempo para colocar em prática o grande objetivo oculto que a vida havia destinado a mim. Querer controlar “tudo-ao-mesmo-tempo-agora” era uma constante que poderia me enlouquecer se eu continuasse nesse propósito.

O amadurecimento, contudo, foi me mostrando outros caminhos, outros olhares sobre a existência e seus enigmas. Fui descobrindo que é possível mergulhar nesta imensidão e sentir-se em paz. É como se tudo perdesse sentido e ganhasse sentido ao mesmo tempo. Quando a gente toma consciência que a existência é maior que nós mesmos, mais profunda do que nossa mente seja capaz de absorver e entender, só nos cabe desfazer as resistências. Deixar que o fluxo da vida siga em seu ritmo e vivenciar com total sinceridade e amor o momento presente, seja lá em qual caminho que estivermos, passa a ser a decisão mais acertada a tomar. Porque o controle não está nas nossas mãos.

Na verdade a ilusão de que podemos controlar os acontecimentos da nossa vida só nos traz inquietude, pois invariavelmente nos deparamos com situações que fogem do que desejamos para a nossa vida e, então, bate a insatisfação. Ao passo que se aceitarmos o fato de que a vida acontece sem a necessidade do nosso aval e determinismo, poderemos sentir o fluir mais leve da caminhada. E, então, nos damos conta que só existe uma coisa sobre a qual podemos controlar: a forma como lidamos com as vicissitudes. E o que estamos falando aqui é sobre o entregar, o deixar fluir, estabelecendo a paz íntima diante dos acontecimentos da vida. Assim levamos luz nesse mergulho que fazemos a cada instante, iluminando o nosso interior.

Portanto, acenda a sua candeia e vai!

Que exercitemos a paz e a alegria em nossa existência.



Namaste _/\_

domingo, 22 de março de 2015

Das verdades que criamos

Os nossos pensamentos têm como base as verdades que tomamos como nossas ao longo da vida. Portanto tudo o que contraria o que acreditamos ser o correto é interpretado pela mente como errado e passa a ser expressado por meio de diferentes emoções: raiva, tristeza, ódio, depressão, indiferença, rancor, ... Da mesma maneira, aquilo que condiz com o que a nossa mente caracteriza como certo nos leva a sentir alegria, prazer, contentamento, orgulho, ...

Contudo nenhuma dessas situações duram para sempre: nem o estado de tristeza e nem o de alegria. E quantas vezes algo que um dia nos aborreceu, hoje se tornou motivo de satisfação? O que antes achávamos feio, agora  nos apetece? E isso nos leva a pensar que as nossas verdades não têm nada de absolutas, podem ser alteradas ao longo da vida. Portanto, não podemos tomá-las como bases para o nosso estado pleno de paz e felicidade interior que tanto almejamos. É preciso, então, buscar uma verdade absoluta. Algo que seja maior que todas as coisas.

E o começo dessa busca pelo Absoluto está em tomar essa consciência de que a mente nos engana com suas verdades relativas. É começar pelo respeito ao próximo que sendo igual a mim e a você também age segundo a sua própria verdade.  Começamos então o amor pelo próximo, através do respeito.
E caminhando pelo mesmo raciocínio, o que dizer dos nossos inimigos? Quem os são? Será que não poderíamos dizer que eles são aqueles que contrariam as nossas verdades? E se assim o definimos, não deveríamos sê-los gratos por nos lembrar em todos os embates que a nossa verdade é relativa e que devemos buscar o que é Absoluto? Deveríamos , portanto, amar os nossos inimigos.

E onde encontramos o Absoluto?
O Absoluto está no sagrado que nos habita. No Amor que nos anima. No invisível que nos permeia.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sê Inteiro



Inteireza.
A vida nos pede presença de espírito. 
Esteja presente em seus momentos.
Vivencie sem ansiedade cada instante. Desate as resistências e sinta o fluir da vida.
Tudo passa, então por que a pressa? 
Cada momento tem sua beleza e seu porquê. 
Cada instante é um convite para escutarmos a melodia silenciosa da sacralidade da nossa existência. 
Por mais leveza e mansidão. 
Por mais presença e alegria. 
Inteireza.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A maternidade tem um quê de divino ou como a maternidade me ensina a ser uma pessoa melhor



A maternidade realmente é um divisor de águas na vida da mulher. A gente nasce mãe e, através dela, fazemos um mergulho no fundo de nós mesmas. Até compreendermos que essa passagem da vida é um presente sagrado para o nosso crescimento individual e também coletivo (pois aqueles que convivem conosco também são convidados a embarcar nessa viagem de redescoberta pessoal), podemos passar por momentos dolorosos.

A Laura Gutman, autora que me tornei fã, sabe traduzir bem essa iniciação (se é que posso chamar a maternidade dessa forma) como sendo o encontro com a nosso própria sombra. E é verdade, eu nunca me vi tão nua diante de mim mesma como agora. A maternidade não nos pede licença e sai nos atropelando, nos despindo do papel social que construímos durante toda a nossa vida. Sai o indivíduo e entra a simbiose mãe-filho. Simbiose essa que não dá espaço para que a mulher-indivíduo exerça seu papel, através de suas vontades e desejos que ocupavam, até então, a sua vida. Não há tempo para nada, a não ser para a completa e total doação e entrega ao filho.

Eu, que sempre fui tão independente, que sempre prezei a minha liberdade, o meu espaço, as minhas leituras, o meu tempo para o café, os filmes, o meu sono, sair para caminhar, curtir as manhãs, curtir o marido, a vida,... tudo no meu tempo... o meu, para mim... o ego, me dei conta do quanto ainda apegada estava a mim e ao que eu construí como papel social. Porque, do contrário, não haveria sofrimento algum.

Ser mãe, nos convida a nos desconstruir, a ponderar o que realmente importa. A nos olhar com total verdade, despida de papéis sociais, de vontades e desejos, e enxergar o que realmente somos: seres espirituais, eternos - não importa se estamos, no momento, como mães, ou como alta executiva, ou se o cabelo está com a raiz feita, ou se depois de uma noite insone com o filho se olha no espelho e é só olheiras... Não importa!! A verdade é que somos instrumentos sagrados  e estamos a serviço do amor.

Decidi abraçar a maternidade com serenidade, entregar-me de corpo e alma a esta simbiose e vivenciar esse amor inefável que é ser mãe. E, então, dei-me conta, mais uma vez, de que os momentos são passagens, de que o tempo é ilusão e aquilo que nomeamos como somos, através dos papeis que construímos por meio dos nossos desejos, são meras alegorias. Tudo é passageiro... é preciso deixar fluir, mergulhar no presente e banhar-se da paz que este mergulho nos proporciona a cada novo instante. 

Meu filho, obrigada por me escolher ser sua mãe e me permitir vivenciar tão profundas verdades. Eu sou eternamente grata a você. Te amo!